Adaptação escolar e relação entre a escola e os pais

Em September 10th, 2016
Categorias: Experiências

Escola nova, pessoas novas, amigos novos, professores novos. Mudar nunca é fácil, mas de vez em quando se faz necessário.

A adaptação a uma nova escola é sempre um desafio para os pais e para a criança.

Me lembro até hoje do temor do primeiro dia. “Será que vão gostar de mim?” era a pergunta que eu me fazia o tempo todo. Primeiros dias sempre me trouxeram medo. É todo um ambiente novo, como se fosse um planeta à parte do planeta terra, com sua própria hierarquia, grupinhos sociais, partidos políticos, bandidos, e por aí vai.

Mas o que eu tenho percebido é que muitas vezes a criança tira de letra enquanto os pais apanham e não conseguem se adaptar.

Pra mim uma relação de confiança entre os pais e a escola é fundamental pra que tudo funcione bem. Sem essa relação, por mais que a escola dê o melhor para seus alunos, nunca será o bastante e você sempre estará preocupada(o).
Seria uma tortura medieval deixar meus filhos em uma escola aonde eu sinto que eles não estão seguros e protegidos porque grande parte do dia é lá que eles estão.

Pela minha experiência até aqui percebi algumas atitudes comuns que crianças têm em relação à escola e que às vezes os pais problematizam causando impacto negativo nos seus próprios filhos e eu vou falar delas aqui hoje.

Lembrando que tudo o que acontece deve ser levado em consideração, tudo deve ser conversado, óbvio, mas tem coisa que não precisa fazer a gente se descabelar.

Crianças pequenas se amam e se odeiam ao mesmo tempo.

Eles brincam, aí brigam, e depois de cinco minutos voltam a brincar como se nada tivesse acontecido.
Crianças usam acontecimentos triviais da escola como desculpa pra não irem à escola quando não querem.
Parece complexo, né?
“Mamãe, não quero ir à escola porque Abraham Lincoln me bateu.” Não querida mamãe, ele muitas vezes não quer ir porque quer ficar em casa vendo desenhos. É claro que não é sempre assim, mas acredite, é mais comum do que parece. É importante a criança entender que a escola não é uma escolha e sim uma obrigação. E bom, cada mãe conhece seus filhos pra saber quando é algo mais sério ou não.

Conflitos entre as crianças acontecem.

E são necessários para o crescimento e amadurecimento da criança. Lembrando que conflitos e bullying são duas coisas completamente diferentes! O bullying deve ser inaceitável, não é “coisa de criança”. Agora conflitos, são inevitáveis e benéficos para que desde a infância as crianças aprendam a lidar com eles, porque na vida adulta lidarão e não vai ter sempre mãe/pai/avô/avó/tio/tia pra intermediar.
Pedrinho e Joãozinho são amigos, mas Pedrinho fez uma brincadeira que Joãozinho não gostou. Queridos, eles não vão sentar juntos frente a frente pra uma conversa madura de como não se magoarem um ao outro. Provavelmente eles vão brigar, puxar cabelo, arranhar, morder, enfim…
E, cinco minutos depois, fim. Estão brincando novamente. Conforme eles vão crescendo vão aprendendo a conversar entre eles pra resolver conflitos, principalmente ao observar as atitudes dos adultos que convivem a sua volta. Como você resolve seus conflitos?

Leia: Mordida na escola e a relação com a ausência do pai

Se seu filho é obediente e bonzinho em casa, talvez não seja assim na escola.

Muitas crianças “mostram as garras” na escola, principalmente aquelas com pais rígidos e autoritários demais. Quando eles percebem que os pais não estão “vigiando”, ninguém segura.
O inverso também acontece, normalmente com pais mais “frouxos”. As crianças pintam e bordam em casa e quando encontram alguém que imponha certa autoridade obedecem.

Por mais obediente que seu filho seja, ele não é santo e você precisa aceitar isso.

Todo mundo erra, e toda criança faz bagunça e põe à prova a paciência de seus pais/tutores/professores.

Seu filho nunca será o melhor em tudo.

Não pressione tanto. Talvez seu filho goste mais de desenhar do que de fazer castelos de areia. Ou quem sabe adore bloquinhos e não goste tanto de sentar pra ver desenhos. Cada um tem seus gostos, crianças também.

Leia: Leia aqui sobre a nossa saga da mudança da escola particular para a pública

Se seu filho não conhece nenhum palavrão, vai aprender na escola.

Fato dos fatos. Aqui em casa qualquer palavrão é terminantemente proibido. Não falamos perto deles, nem os expomos a nenhum tipo de desenho ou programa que tenha esse tipo de conteúdo. Somos bem seletivos. No entanto um dia o Mikael soltou um “porra” em alto e bom tom.
Perguntei pra ele quem tinha ensinado isso pra ele e ele me nomeou o menino. Não briguei com ele, até porque ele nem sabe o que isso significa. Só expliquei que esta palavra é feia e que não devemos usar esse tipo de linguagem porque é falta de educação. Ele entendeu, pediu desculpas e não falou mais.

A escola é uma mistura de crianças, professores e funcionários cada um com sua historia de vida, suas cicatrizes, seus problemas pessoais (todo mundo tem). É como um “mini mundo” num ambiente seguro e supervisionado. E isso é BOM! Nós não criamos os filhos para que fiquem dependendo de nós pra tudo, sempre. Um dia eles alçam vôo e vivem as próprias vidas. Os conflitos e desafios que eles vivenciam dentro da escola que é em sua maioria um ambiente seguro vai auxiliá-los a lidar com situações semelhantes lá fora mais tarde.
É importante sabermos a hora de intervir e a hora de não intervir. Diferenciar uma situação normal de criança de uma situação que requer mais atenção da nossa parte. Viver e deixá-los viver para que cresçam física e mentalmente saudáveis.

Ler mais sobre: Experiências
Por Joana
joana scheer comente
Comente