Capítulo 1 – Da escola particular para a pública.

Em October 3rd, 2015
Categorias: Experiências

Minha mãe me criou sozinha e precisava trabalhar então desde os meus 19 dias de vida eu fiquei em creches. Nos mudamos pro nordeste e ficamos lá até eu completar 6 anos, e então voltamos pra SP. Nesse meio tempo eu passei por uma creche em Fortaleza que me marcou muito, de uma maneira negativa. Em outro post contarei como foi esta experiência.

Antes do meu filho mais novo nascer fui até a creche mais próxima e inscrevi meus dois mais velhos sem a mínima esperança de que iam nos chamar logo porque hoje existem mais de 100.000 crianças na fila. Na época conseguíamos pagar escolas particulares com a ajuda da minha mãe e eu estava esperançosa de que dali pra frente tudo só ia melhorar.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas e nem tudo acontece como esperamos. O dinheiro apertou e não tínhamos mais condições de mantê-los lá. Eles já estavam inscritos na fila da escola pública mas eu sinceramente não queria precisar coloca-los lá… e o medo? A creche aonde eu ficava não era pública, mas meu pensamento era: “se eu passei o que passei em uma aonde os professores recebiam mais e tinham melhores condições de trabalho, imagina do que seriam capazes os da escola pública, que recebem tão mal.”. Além disso, quando temos filhos imaginamos poder dar à eles o melhor. A melhor condição de saúde, a melhor educação, a melhor criação. Sei que a escola é apenas uma parcela (grande mas não maior do que a educação que as crianças recebem em casa) da formação do caráter de um indivíduo, mas não vou ser hipócrita… sempre sonhei e ainda sonho em dar educação de qualidade pros meus filhos, e vou lutar por isso.

Milagrosamente eu não precisei correr atrás de nada. Nos chamaram no momento certo, quando tudo apertou e não tinha mais de onde tirar dinheiro. O medo tomou conta de mim, eu chorei muito imaginando tudo o que poderia acontecer (que hoje eu percebo que pode muito bem acontecer em uma particular também) com eles mas eu não tinha escolha. Creio que com a quantidade de crianças na fila foi Deus quem liberou as vagas, então decidi colocar a situação nas mãos dEle e deixar rolar.

Me ligaram e eu fui fazer a matrícula em uma CEI mais longe de casa porque aonde eles estudariam ainda ia abrir. O lugar era feio, mas eu fui super bem atendida, com carinho, cuidado e atenção tanto por telefone quanto ao vivo. Fiz a matrícula super rápido porque já tinha os documentos na mão.

As aulas começam na segunda, dia 05/10. Fui numa reunião lá e já me surpreendi. Tudo novo, limpo. Decoração artesanal com produtos que iriam pro lixo, tudo lindo e um atendimento maravilhoso. A diretora explicou tudo e depois chegaram mais pais atrasados. Ela disse que não tinha problema, que ela falaria tudo de novo (tudo isso com um sorriso no rosto).  Anotei aqui os pontos positivos e os negativos pra vocês.

Como funciona?

Para inscrever seu filho na lista de espera é só levar na CEI (0 a 3 anos) ou EMEI (4 em diante) mais próxima da sua casa a certidão de nascimento dele, seu CPF e um comprovante de residência. Aí eles dão um papel pra preencher e depois um outro com o número de protocolo que você pode consultar aqui e saber em que lugar da fila ele está. Aí é só aguardar, eles ligam caso chegue a vez do seu filho.

Quando ligarem e você precisar fazer a matrícula vão marcar horário e você vai precisar de uma foto 3×4 da criança e uma cópia de:

carteirinha de vacinação

certidão de nascimento

comprovante de residência

CPF/RG do responsável

cartão SUS

Daí basta comparecer ao local e data agendados e fazer a matrícula.

  • Entrada às 7h, saída às 17h.
  • No horário da saída os primeiros a sair são os que utilizam o transporte, que é serviço à parte. O que faz aqui perto de casa cobra R$120,00 cada criança ida e volta. Também faz só ida ou só volta com preço a combinar. Como é muito perto talvez eu só utilize na hora da volta pra não interferir no meu trabalho.
  • Depois que o pessoal do transporte sai entram os pais pra pegar seus filhos, aos poucos pra não tumultuar. Já vi que vai dar bagunça.
  • Férias só em janeiro, em dezembro parece que vai funcionar normalmente

 Pontos positivos

  • Sem lista de material. É tudo fornecido por eles.
  • Câmeras. As supervisoras poderão acompanhar 24h cada movimento na escola e as imagens ficam gravadas. Isso é lindo pra mamães “paranoicas” como eu que passei maus bocados na escolinha quando pequena.
  • Controle na retirada das crianças. Só os pais/responsáveis podem retirar a criança da escola. Se quisermos autorizar alguém tem que preencher uma ficha de cadastro e levar o RG da pessoa que queremos autorizar.
  • Tem hora da soneca, mesmo para os grandinhos
  • Não levamos lanche. É tudo fornecido por eles também e o cardápio é preparado por nutricionista.
  • A comida a partir dos 2 anos é padrão, mas antes dessa idade é específica para a idade dos bebês, tudo montado pela nutricionista e preparada pela cozinheira.

 

 X Pontos negativos

  • Não dá leite. Eu uso bastante e pra mim é um gasto a mais que tenho todo mês. Achei que fossem dar, mas não.
  • Preciso mandar fraldas. Não são fornecidas por eles como eu pensei, infelizmente.
  • Sem detalhes na agenda. Pra mim isso é super importante, e não tem. Como são muitas crianças elas só escrevem alguma coisa em caso de acidentes ou coisas mais sérias. Prometem detalhar o dia “se der tempo”, ou seja, não farão.
  • Não tem uniforme. Mais roupa que suja, e pra mim uniforme é importante por segurança também. Se numa fatalidade alguma criança sai pelos portões da escola e é encontrada, quem a encontra sabe aonde levar.

 

Como me sinto? Confusa. Me sinto cuidada por Deus porque as coisas aconteceram no tempo certo e sem esforço, mas apreensiva ao mesmo tempo, confesso. São meus filhos, meus pedacinhos e às vezes se paro pra pensar no assunto eu surto um pouco. Quando se passar um mês do início das aulas eu dou continuidade ao post dizendo como está sendo todo o processo.

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Por Joana
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