Mordida na escola e a relação com a ausência do pai

Em April 11th, 2016
Categorias: Experiências

É difícil pra mim às vezes escrever no blog porque na maioria das vezes nossos desafios no núcleo familiar envolvem um assunto em particular que eu –ainda- não vou expor aqui. Mas enfim… fomos novamente chamados à escola pra conversar com a família de um menino em particular que o Mikael resolveu morder.

Sabe aquela fase da criança em que ela se expressa e se defende mordendo? Pois bem, o Mikael nunca fez isso. Ele nunca foi uma criança que morde, ao contrário do Gabriel que mordeu bastante e que está naturalmente deixando essa fase para trás.

Na idade dele (4 anos) a mordida é a mais alta patente de agressão. É o mais do mais, a maior agressão que uma criança pode exercer sobre outra. Mas, por que?

É sempre o mesmo menino… sempre por um motivo “bobinho” como correr na frente, jogar a tampa da garrafinha longe. E é um menino que o Mikael gosta. É amiguinho mesmo dele.

Em alguns episódios anteriores, antes de eu expor a situação para a Luciana, a professora dele me dizia sempre que o pai desse menino que sempre o leva e o busca brigava e queria até armar barraco com a professora dele por causa das mordidas. Bastou eu dizer isso pra psicóloga que de cara já encontramos o motivo de tanta “raiva”.

O pai do menino o leva e o busca… o pai do menino quer defende-lo e briga com a professora porque tem alguém mordendo o filho dele… o pai! É isso… o pai. O pai do Mikael não está aqui no momento (não somos divorciados mas ele não está por enquanto)… e ele se sente incompleto porque no momento nossa família está separada, e sente inveja do menino que tem o pai presente.

Todos os dias na hora de dormir o Mikael me abraça bem forte e diz o quanto me ama, e que nunca quer me perder… como se eu pudesse simplesmente virar as costas e ir embora. Diz que sempre quer estar perto de mim e que gosta de estar ao meu lado, isso todas as noites, e muitas vezes. Deixo sempre claro pra ele que eu jamais vou embora, que eu estarei aonde ele estiver, e que eu nunca vou deixa-lo…

Mas falta algo… algo que eu não posso suprir… e isso me corta ao meio porque tudo o que eu queria era poder tirar essa dor, esse sofrimento dele. Mas ele vai ter que encarar os fatos e seguir em frente. Estarei sempre dando a mão pra ele, e caminharemos juntos, subiremos montanhas e eu, por mim posso dizer que nunca vou embora. Posso estar lá em todos os momentos da vida dele, posso verbalizar e mostrar o quanto ele é importante pra mim… mas não posso tomar as vestes do pai dos meninos e prometer ou fazer o mesmo no lugar dele.

foto retirada de jornal online Jorge quadros

foto retirada de jornal online Jorge quadros

Então papais, peço encarecidamente que abram os olhos porque a importância de vocês no crescimento e desenvolvimento dos seus filhos é absurda! A mãe não é MAIS ou MENOS importante. Cada um tem um papel impossível de substituir por qualquer outra coisa/pessoa/presente. Olhem menos pro umbigo e pras vontades de vocês e tirem o cabresto. Olhem em volta, seus filhos, sua esposa… coloque-os à frente. Trabalho é importante, o tempo sozinho também, mas nada disso é mais importante do que a família que você escolheu ter. Não abandone, não extravase suas angústias tendo atitudes ruins e que envolverão a vida das outras pessoas a seu redor. Tá difícil? Senta com a sua esposa, conversa, expõe a situação por mais difícil que ela seja… não fuja através de festas, ausência, pornografia, drogas, mulheres ou sei lá mais o que! Apenas não fuja da raia… seja transparente e sincero. Não desista tão fácil daquilo que te foi dado! Levanta e luta ao lado da tua mulher!! Aos que já fazem isso ótimo, não vou bater palminhas porque vejo isso tudo como o mínimo sabe? É questão de respeito e honra com aquilo que você tem (família), e aos que não fazem mas ainda têm suas famílias… é tempo. É tempo de reconquistar a confiança, de lutar pelo patrimônio de maior valor e importância que você tem, de aproveitar a presença daqueles que você diz que ama (porque falar que ama é fácil), de participar da formação de caráter de um ser humano, de estar junto e realmente estar lá! E aos que acham que perderam essa chance (porque enquanto houver vida, há esperança, mas quanto mais passa o tempo, mais difícil fica), resta-me um último conselho que a maioria não segue… tenta mais…

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Por Joana
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