Criação com apego – minha experiência (ou falta dela)

Em October 19th, 2016
Categorias: Experiências

Recentemente vi um texto fabuloso do Marcos Mion falando sobre criação com apego. Achei lindo, maravilhoso mesmo. Hoje em dia crio meus meninos assim mas nem sempre foi assim.

O Mikael foi meu primeiro filho, e foi cobaia mesmo porque eu nunca tinha nem trocado uma fralda. Não me dava bem com crianças e elas não gostavam de mim. Sempre tive muito prazer em cuidar dele e queria fazer tudo certo pra que ele fosse feliz, seguro e incrível.

Mika nasceu, e eu corri pra livros, fóruns, conselhos de pediatras e tudo mais. Fiz tudo o que me diziam pra fazer. Mika dormiu sozinho a noite toda quando tinha 3 meses, sempre teve saúde, teve refluxo (o que me dava nos nervos) e na hora de dormir eu dava boa noite carinhosamente dizendo que era hora de dormir. Eu o colocava no berço e saía. Ele chorava. Eu não atendia. Ia fazer outras coisas enquanto meu nenê chorava me chamando.
Eu não sentia remorso ou culpa porque afinal de contas, é normal, mas ele acostuma logo. E assim foi. Em poucos dias ele dormia sozinho.

Conforme o tempo foi passando, eu fui evoluindo como mãe, como ser humano, e aprendi sobre a criação com apego, e como ela faz bem. Na época nenhum “instinto materno” me avisou não. Eu confiava mais nos outros me dizendo como criar meu filho do que nos meus próprios sentimentos.

Hoje Mika é um menino feliz, ativo, cheio de energia, amoroso, carinhoso, dramático, bagunceiro, e inseguro. Ele tem medo de eu sumir, de eu ir embora.

Sei que parte desse medo é realmente normal, lembro que eu chorava nos pés da minha mãe pedindo pra ela me prometer que não ia morrer. Mas será que se eu tivesse dado menos ouvidos ao “diz que me diz” dos outros e tivesse ficado mais pertinho do meu menino ele seria mais seguro de si hoje? Não sei, quem sabe.

O que sei é que hoje vou construindo a segurança dele junto com ele mesmo. Mostrando através de atitudes e palavras que eu sempre estarei aqui pra cuidar dele e fazer o melhor pra ele.

Sei que o tempo voa, e que um dia eles não vão mais querer dormir na minha cama e vão ficar envergonhados de serem carregados no colo. Hoje quando eles pedem, seja carinho, beijos, colo, aconchego, eu tento dar. Digo “tento” porque tem dias que não dá (e não são poucos não). Tem dia que é tudo errado do começo ao fim. Tem dia de mau humor, de bloqueio social, de cansaço extremo, de vontade de se enfiar debaixo do cobertor assistindo séries e comendo Doritos. Mas esse pensamento sempre me vem, e me motiva a ser melhor, pra eles.

O Gabriel mamou e acordou de madrugada até 1a e 2m. Depois disso passou a dormir a noite toda no seu berço. Já o Dani, tá com 1a e 8m e ainda dorme no mesmo quarto que eu, grudado no peito. Anseio dormir a noite toda? Sim, mas eu sei que esse dia vai chegar.

Há quem diga que retrocedi, mas eu penso o contrário. Hoje priorizo o bem estar dos meus filhos. O mundo já é bem cruel, não tem amor pra dar. Já eu tenho, e de monte. Que eles aprendam então que o amor vence, que o amor é mais forte, que o amor acaricia, dá bronca, corrige, deixa de castigo, dá presente, dá colo, sustenta nos momentos difíceis. E hoje eles sabem, que não importa o que aconteça, eles não vão enfrentar absolutamente nada sozinhos, porque a mamãe está aqui. E mesmo que um dia já não esteja porque nunca se sabe o dia de amanhã, esteve tempo o bastante pra ensiná-los a amar os outros.

Então vem que tem colinho, carinho, abraço e beijo.

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Por Joana
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