Daniel internado com pneumonia e a reflexão que isso me trouxe

Em July 25th, 2016
Categorias: Experiências

Todos os meus meninos já estiveram gripados diversas vezes, umas gripes mais leves, outras mais graves. Já tive que levar no pronto socorro e era sempre a mesma coisa. Inalações, raio x e voltávamos pra casa.
Algumas vezes eu ia “à toa” e os médicos sempre me diziam a mesma coisa…
Só venha ao pronto socorro se a febre durar mais de dois dias ou se ele estiver cansado (“puxando costela” pra respirar). Pois bem, eu segui assim até desta última vez com o Daniel.
Uma gripe comum que foi se agravando e se transformou numa broncopneumonia. Levei ao pronto socorro e com uma saturação de 94 voltamos pra casa e fizemos aqui o tratamento.

Depois de 10 dias ele estava ótimo, mas logo a febre e o cansaço acompanhado da tosse voltaram. Levei novamente e constatamos que mesmo após todo o tratamento a pneumonia ainda estava lá.

Com uma saturação de 88 Daniel foi internado.
Pra mim aquilo foi um choque!
Primeiro porque pela primeira vez estávamos à mercê da saúde pública já que perdemos o convênio médico com toda essa crise. Depois porque fomos de uma UPA a um hospital de ambulância. Parecia tudo tão grave… mas ele tava ótimo aparentemente.
Chegamos no hospital como emergência e após mais e mais exames ele realmente foi internado. Passamos duas noites na internação antes de subirmos pro quarto.
O detalhe é que eu estava completamente despreparada e nem fralda eu tinha comigo. Minha mãe teve que levar depois. Aliás, foi ela quem segurou a bucha com os outros dois em casa, tadinha.
Enfim, recebemos um tratamento ótimo de toda a equipe médica. Minha única reclamação é que na enfermaria o acompanhante passa dias e noites numa cadeira de plástico. Foram as duas noites mais torturantes da minha vida.
Após estas duas noites subimos pro quarto e aquela poltroninha furada mais parecia uma cama king size só pra mim… hahahah
Comigo no quarto tinha mais 4 mamães com seus respectivos bebês, todos com pneumonia. Aliás, praticamente o andar inteiro era de crianças com pneumonia, incrível.
Acabamos de certa forma criando laços ali porque a cada inalação com eles gritando, a cada acesso perdido que precisava ser recuperado estávamos ali juntas, uma olhando com compaixão pra outra.
Entre momentos de risada e de nervoso vivemos ali uma semana, na luta.
Eu não tinha quem trocasse de lugar comigo então eu ficava lá 24hrs por dia. Após 7 dias de luta, a tão sonhada alta. Quase todos os bebês daquele quarto tiveram alta naquele dia.

Não sei como estão hoje, não sei os nomes de suas mães, mas como já li em outros lugares, “a primeira internação a gente nunca esquece”.
O mais difícil pra mim em estar lá era lidar com a saudade do Mika e do Gab que ficaram em casa com a minha mãe. Eles não podiam ir nos visitar por causa da idade então passei dias sem vê-los, e minha mãe quase enlouqueceu.
Quando saímos percebi que comigo veio o medo. Bitolada, louca, noiada, querendo tudo limpo a todo instante… impossível. Vai completar uma semana que saímos de lá e eu continuava lutando contra esse medo até que tive uma “revelação” enquanto amamentava o Daniel.
Quantas vezes eu já ouvi as pessoas falando que “a vida é um sopro”, ou que “é preciso valorizar as pessoas que amamos enquanto estão vivas porque nunca se sabe o dia de amanhã”, e coisas do gênero.
Nunca duvidei de nada disso, mas esse tipo de sentimento é como ser mãe. A gente ouve falar, acredita, mas só vivencia e entende mesmo quando sente na pele.

Eu sou o tipo de pessoa que não gosta de dividir comida. Quando divido, na maioria das vezes é forçado. Não gosto mesmo. Também gosto de viajar no Snapchat, Candy Crush e outras bobices. No entanto não tenho muito tempo livre pra isso então por diversas vezes me distraio com isso enquanto amamento por exemplo. Só que me veio à tona que a cada mamada que o Dani dá, é uma a menos de todas as que ele vai dar. A cada noite mal dormida, é uma noite em que ele está lá, e me quer perto. A cada colo que eles todos pedem é um a menos de todos os que eles pedirão, porque vai chegar um tempo onde eles não vão querer mais o meu colo. Vão ter vergonha de mim perto dos amigos… faz parte.
Cada vez que o Mikael me chama e eu digo que “estou ocupada e agora não dá” é uma chance perdida de dar atenção pra ele que me quer tão bem e que me quer tão perto sempre.
Não estou dizendo que devemos ser escravos de nossos filhos e nos abster de tudo o que gostamos de fazer. Também não vou largar eternamente o celular enquanto amamento, mas vou me esforçar pra fazer mais isso sim.
Trocar o celular pelas mãos dele enquanto ele mama e me segura. Passar a mão livre pelo cabelão liso e comprido dele. Dividir minha comida com eles quando me pedirem sem fazer tanta careta e trocar de vez a frase “estou ocupada, agora não dá” por “espere um pouquinho por favor” por exemplo.
Realmente curtir os momentos que voam tão depressa, e não voltam nunca mais.
Seja pelo crescimento deles ou por outro motivo que eu não ouso nem cogitar, o tempo não volta e cada minuto é único. Meus bebês de hoje vão dar lugar aos adolescentes de amanhã, que por sua vez darão lugar aos adultos de depois de amanhã, que ainda darão lugar aos idosos da semana que vem por assim dizer. E isso tudo acontece, num sopro.

Aproveitar, curtir, amar, afagar, acariciar, pegar no colo, cheirar, jogar pro alto… essa é a pedida.

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Por Joana
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