Meu filho precisa de psicólogo, e agora?

Em August 31st, 2015
Categorias: Experiências

 

Meu filho mais velho tem 3 anos e é uma das crianças mais carinhosas que eu já vi. É inteligente, amoroso, doce, puro de coração e bondoso… mas…

Desde que coloquei-o na escolinha ele desde o início apresentou comportamento agressivo. Batia nos amigos, mordia e tinha ataques de raiva que eram desencadeados quando qualquer coisa não era como ele queria. Ficava completamente descontrolado e chegou a levantar com os pés uma mesa enorme c85025042012073554-Liberar-as-energiaom computador e aquelas impressoras grandes em cima. Um adulto não conseguia segurá-lo durante os ataques. A diretora da escola na época me aconselhou a passá-lo com uma psicóloga, e meu mundo caiu naquele momento! Meu filho, lindo, doce, carinhoso, amável tinha um pr
oblema que eu não podia resolver! Aliás, naquele momento ele ERA um problema, pelo menos na minha mente. Imaginei a vida que ele poderia ter se as coisas continuassem assim como se fosse uma sentença. Imaginei ele sendo a “criança problema” das escolas (aliás, professores… jamais chamem uma criança assim), não querendo estudar, crescendo rebelde, se envolvendo com drogas… me imaginei chorando de madrugada esperando ele voltar.. Acho que dá pra ter uma noção do quão TERRÍVEL foi pra mim!

 

Como toda mãe faz, eu sei que você também, consultei o doutor Google e ele me deu muitas respostas que obviamente não me tranqüilizaram nem um pouco. Sempre fui sensata e filtrei bastante as minhas pesquisas (eu pesquiso sobre tudo sempre), não tomei nada como verdade antes de consultar a psicóloga mas li sim sobre autismo, TDAH, fiz testes de internet e fui atrás do que poderia ser. Antes de procurar a psicóloga troquei o Mikael de escola, coloquei numa maior porque aonde ele estava tinha um espaço pequeno e a energia dele de fato parece inesgotável. Troquei, mas após a primeira semana na escola nova os mesmos problemas começaram.

Antes que venham me dizer que é mimimi, falta de pulso eu digo que não. Na verdade tô pra conhecer uma mãe tão chata e sargenta quanto eimg_208u.  Sou carinhosa, amorosa, brinco com eles mas quando saem da linha eu repreendo sempre. Nunca tolerei mau comportamento. Sempre converso, se não tem jeito eles ficam de “castigo” e se ainda assim não resolve é chinelo no bumbum mesmo.  Procurei e achei uma psicóloga pertinho de casa e começamos as consultas.

Nas primeiras vezes o Mika não foi porque ela precisava conhecer nossa rotina, ME conhecer e ver se eu não era uma louca desequilibrada, saber como foi antes de ele nascer, meus sentimentos quando engravidei, minha gestação, o parto e a vida dele até esse momento. Isso durou umas 4 ou 5 consultas sendo uma por semana. Ela deixou claro pra mim que talvez pedisse exames laboratoriais como raio x, exames hormonais e tomografia pra saber se havia algum problema fisiológico que justificasse o comportamento anormal.

Depois da entrevista inicial ele começou a freqüentar as sessões. Ele ficava sozinho com ela na sala enquanto eu esperava fora. Como ele é muito pequeno e ainda mistura muito a realidade com a fantasia (era algo que me preocupava também mas ela disse que é normal, que faz parte do desenvolvimento da criança) não dá pra extrair muitas informações através de conversa… então as sessões consistiam em brincar. Ela espalhava diversos brinquedos na sala, cada um com seu significado, e ele brincava. Ela interagia com ele às vezes, em outras só observava e passou uma tarde com ele na escola observando o comportamento dele em grupo. Após algumas sessões assim ela me chamou pra conversar e dar o psicodiagnóstico.

Ele é mentalmente saudável no ponto de vista fisiológico e todo o desvio de comportamento que ele apresenta é de fundo emocional. Durante todas as consultas ela me deu muitas deixas que eu creio serem válidas para TODAS as crianças, tenham elas problemas de comportamento ou não, e eu vou passá-las pra vocês.

  • Conforme vamos crescendo, vamos aprendendo o que é tristeza, alegria, frustração, nervosismo, ansiedade e por aí vai. Muitas vezes uma criança se comporta mal simplesmente por não entender o que está sentindo, ou por pensar que ninguém a entende. A dica da psicóloga foi dar voz ao que a criança sente. Se seu filho começa a dar um show porque algo não saiu como ela queria, provavelmente essa criança está frustrada. Mas ela não sabe disso, então cabe a você ensiná-la que o que ela sente nesse momento é frustração e que você a entende. “Filho, eu sei que você queria esse brinquedo e ficou frustrado por não consegui-lo, que tal pegarmos outro e brincarmos com este quando seu amiguinho soltar?” . É um exemplo entre milhares mas tem ajudado muito aqui em casa. Só por ser entendida a criança já se sente melhor e se acalma. “Ufa, alguém me entende, eu fui ouvido”.Sad girl

 

  • Algumas vezes na agenda a professora relatou que o Mikael bateu o amiguinho “sem motivo”. Segundo a psicóloga isso nunca, nunca, NUNCA acontece. Sempre algo desencadeira a agressão, por menor que seja esse “algo”. Por isso a observação é super importante. Não punir de imediato mas conversar e tentar entender o que aconteceu, aí sim repreender.
  • Existem comportamentos intoleráveis como bater, morder, empurrar, chutar, etc. Nesses casos ser direto e com voz firme dizer “não pode bater/morder/chutar/etc” e sem mais delongas. Não precisa explicar porquê não pode, a criança precisa entender e processar que não pode e pronto, e às vezes se a gente enrola demais e fica “filho, olha, não pode bater porque blá blá blá blá blá”, o “não pode bater” some da mente da criança e fica o blá blá blá, e o comportamento se repete. É bom explicar que machuca, mas quando a criança é pequena isso é meio irrelevante porque ela pensa inconscientemente “e daí? Não é comigo!”. Não é por mal, mas a gente nasce egoísta e vai aprendendo a pensar no próximo conforme crescemos. Sinceramente pra mim (e creio que pra maioria das pessoas) ainda é meio difícil colocar o bem do próximo na frente da minha vontade.

 

  • Toda criança gosta de atenção, seja ela boa ou ruim. Se você faz um show maior do que o do seu filho (tipo eu) quando ele se comporta malcrianca-agressiva
    provavelmente esse comportamento vai se repetir. Ressaltar cada gesto positivo com uma baita festa e ignorar o mal comportamento –se possível- com certeza vai ajudar. Não é nada fácil controlar aquele berro que vem do fundo do âmago quando eles aprontam, mas a gente tenta (e falha muitas vezes). Se o mal comportamento é intolerável a consequência precisa existir, mas minha reação não pode ser maior e mais frequente do que a festa que eu faço pra ele com um comportamento legal.
    E o meu conselho como uma mãe que passou por isso é… calma! Você não pode, e nunca vai poder resolver sozinha todos os problemas que aparecerão na vida do seu filho e nada melhora do dia pra noite. Tudo requer trabalho duro, persistência e paciência (minha maior dificuldade no momento). No início eu estava apreensiva e relutante, queria tirar o problema com a mão e isso me trazia diariamente um peso enorme e muita frustração. Ver meu filho sofrendo e não poder ajudar me doía demais, mas a melhor coisa que fiz foi procurar ajuda profissional pra ele. Não me arrependo de nada, e foi um dinheiro bem gasto! Não é frescura, não é desperdício de dinheiro, não é coisa de rico. Hoje penso que se todos tivéssemos um psicólogo o mundo estaria um tanto melhor, porque o que tem de adulto (eu sou um) que não sabe lidar com seus próprios sentimentos não dá nem pra contar.
Ler mais sobre: Experiências
Por Joana
joana scheer comente
Comente