Minhas experiências (boas e ruins) com amamentação

Em November 9th, 2015
Categorias: Experiências

Eu sempre quis ter filhos mas nunca tinha parado pra pensar sobre amamentação até realmente ter um bebê na barriga que ia precisar mamar.

Achava que era algo automático, meio instintivo sabe? Pariu, o leite desce e pronto, simples assim. Ninguém nunca me disse que o leite tanto pode descer meses antes de o bebe nascer quanto até 3 dias depois do nascimento dele, ou nem descer. Ninguém me disse que mesmo que você esteja fazendo tudo certo, amamentar dói pra burro nas primeiras semanas. Nunca tinha ouvido falar de leite empedrado ou mastite. Quando o Mikael nasceu me instruíram a amamenta-lo pontualmente a cada 2 ou 3 horas, nunca mais do que isso nos primeiros meses, e se ele dormisse muito eu teria que acordá-lo, e deixa-lo 20 minutos em cada seio! E eu fiz isso, segui quase todas as recomendações (nunca interrompi o sono do meu filho). Nas primeiras duas semanas meu seio sangrava, e muito… e doía. Cheguei a ligar pro médico e a única recomendação que recebi foi pra continuar, que não tinha problema ele ingerir meu sangue junto. Que romântico, um pequeno vampirinho.  Logo o sangue parou de descer e o seio acostumou. Amamentar não doía mais e o Mika mamava pontualmente a cada duas horas numa rotina natural que ele criou.

Quando ele completou 4 meses parecia que não ficava mais satisfeito. Parecia que meu leite não era suficiente. As mamas antes cheias agora pareciam dois saquinhos de leite vazios. Eu ainda tinha leite mas achei que não era o suficiente e fui falar com o pediatra que me aconselhou a alternar entre fórmula e leite materno. Moral da história, ele acabou largando do peito e preferindo a fórmula que é bem mais fácil de sugar da mamadeira. Não sofri por não conseguir amamentar, mas depois que tive o Gabriel as coisas foram diferentes.

Ele nasceu sabendo mamar. 10 minutos e pronto, estava satisfeito. Mamava depressa e com vigor. Meus seios doeram no começo mas já não sangraram mais. Quando chegaram os temidos 4 meses a mesma coisa aconteceu, mas eu persisti e a produção de leite voltou ao normal. Gabriel mamou no peito até 1 ano e dois meses quando eu resolvi tirar porque não aguentava mais acordar de madrugada pra amamentar. Duas noites e pronto, ele saiu do peito e começou a dormir a noite toda. Quando ele acordava de madrugada eu entrava no quarto e não o tirava do berço nem falava com ele. Apenas dava alguns “tapinhas” no bumbum. Assim ele percebia que eu estava ali e em menos de 2 minutos pegava no sono de novo. Fiz isso durante duas noites e não foi mais necessário. Pouco tempo depois descobri a terceira gravidez.

O Daniel também nasceu sabendo. Os seios não doeram e muito menos sangraram. Ele mama com vigor e rapidinho também. Está atualmente com 8 meses e ainda acorda –e muito- de madrugada pra mamar. Pega no seio e em dois minutos dorme de novo. Dá pra perceber que não é fome, e sim a necessidade do conforto… e bom… estarei aqui pra ele acordando de madrugada bufando e reclamando de sono, mas com muito amor pra dar –no dia seguinte né? Porque de noite a única coisa que eu estou disposta a fazer é dormir hahahahah-.

Eu tinha uma ideia romântica da amamentação.  O bebe e a mãe num casulo emocional aonde ela amamenta com todo o amor a calma do mundo olhando fixamente pro filho e o bebê sugando carinhosamente o seio enquanto olha pra ela. Se eu disser que não existem momentos assim estaria mentindo. Existem e são muitos, mas amamentar vai muito além disso.

Nunca levei mordidas do Mikael, o Gabriel mordiscou meu seio uma vez e eu impulsivamente gritei tão alto na orelha dele que o pobrezinho nunca mais repetiu o ato. Já o Daniel nem tem dentes e já me deu belas mordidas. Não estou ansiosa pela chegada desses dentinhos, não mesmo.

Às vezes eu durmo enquanto amamento, outras vezes acaricio o cabelo espetado do Daniel. Não gosto de conversar enquanto estou amamentando e muitas vezes me distraio com o celular durante a refeição do pequeno. Enquanto estou amamentando perco completamente a fome, e logo após a amamentação tenho muita sede. Quando dava mamadeira pro Mikael a única coisa que mudava era a fonte do leite, porque assim como do seio jorra amor, carinho e cuidado, da mamadeira não era diferente. O ponto é que a amamentação nem sempre é um mar de rosas, nem sempre sai como a gente quer mas é sempre um momento especial e sempre carrega consigo o vínculo, seja através do seio, da mamadeira ou quando o papai “dá de mamar”.

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Por Joana
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