O pior puerpério da minha vida

Em October 13th, 2016
Categorias: Experiências

Já falei aqui sobre o puerpério, esse sentimento terrível e angustiante pelo qual quase todas as mamães passamos quando o nenê vem ao mundo.

Tive o Mikael e voltei pra casa morrendo de medo de não dar conta de manter viva uma criatura tão frágil (link). Até aí, normal, quem não teria esse medo? Minha mãe ficou em casa comigo durante uma semana me ajudando e durante esse período eu tive alguns xiliques e micro (nem tão micro assim) ataques de pânico de vez em quando, e ela me tranquilizava.

Mas eu morava em Santa Catarina e ela em São Paulo na época e ela teve que voltar. De repente, me vi sozinha. Meu marido estava lá, mas era tão inexperiente quanto eu e não tinha a mínima paciência (que graças a Deus hoje esbanja).

Foi um pesadelo! Mika acordava de madrugada como todo (ou quase todo) bebê pra mamar e eu com os seios ainda sangrando chorava enquanto amamentava. Chorava de cansaço, de dor, de sono, de solidão porque queria meus amigos ali naquele momento e não tinha ninguém perto.

Quando o dia raiava, um calor de rachar coco e minha sogra me mandando colocar blusa no bebê. Ele berrava, chorava, berrava mais, e estava vermelho, suado. Cansei, arranquei todas as roupas e deixei o bichinho só de fralda. Ele parou imediatamente e ficou extremamente aliviado. Foi quando o instinto materno falou a primeira vez.

Dor me definia. Dor nas costas, dor nos seios, dor na cicatriz da cesárea, dor no coração, dor na alma. Eu só queria chorar e me esconder. Eu queria que meu marido cuidasse de mim como uma princesa, me trouxesse comida na cama, ficasse com o nenê pra eu descansar, me abraçasse durante uma crise de choro pra dizer que “vai ficar tudo bem”. E no lugar disso ele brigava comigo porque eu “só chorava” e “não fazia nada o dia todo”. Graças a Deus -de novo- a gente cresce, e amadurece. Hoje em dia eu sou tratada como uma princesa e meu marido é super ativo nas atividades de casa. ♥

A maioria das pessoas a minha volta na época entenderam que pronto, saiu, “cabô”. Minha casa tinha que estar limpa, a comida tinha que estar na mesa, eu tinha que estar sorridente e radiante, e por não entender nada do que era esse tal de puerpério, eu também achei. E aí tudo começou a ir de mal a pior porque a culpa começou a me acompanhar. Eu aceitava todas as cobranças e me entristecia porque a casa não tava tão limpa, porque tinha roupa no cesto, porque eu queria dormir mas não podia deixar de preparar um super almoço.

Foi uma época extremamente intensa e ruim, de verdade.

Cheguei a pensar que a depressão que tinha me acompanhado sem ter sido convidada por tanto tempo tinha voltado.

Ninguém, ninguéééém a minha volta me disse da existência do puerpério, e que era normal, e que ia passar. O desespero me acompanhava e eu queria sumir.

Uns dois meses se passaram até que tudo se normalizasse e eu voltasse a ser feliz novamente. Hoje entendo o que é puerpério, e sei como diferenciar da depressão. Conheci uma menina no hospital quando o Daniel ficou internado que tinha acabado de ganhar nenê. Senti de conversar com ela sobre o puerpério e ela só faltou pular no meu colo e me beijar, de tanto alívio que sentiu ao perceber que tudo aquilo que estava dentro dela passaria.

Então você, mãezinha de primeira viajem, gravidinha, tentante, caaaalma, que passa! E você, amigo, parente, marido… tenha paciência! “Nóis fica chata mais passa”.

Só a título de curiosidade, com o Gabriel houve intensidade, mas eu já sabia que fazia parte então levei mais na boa, e com o Daniel, eu acho que não tive tempo de sentir nada, porque o puerpério passou batido hahaha

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Por Joana
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