O que estamos fazendo com as nossas crianças?

Em March 2nd, 2016
Categorias: Desabafos

Somos parcialmente responsáveis pela formação de caráter de um ser humano, isso é muito sério!

Quando nasce um filho precisamos abdicar de muitos dos nossos planos e desejos daquele momento, deixar de sair, deixar de dormir uma noite completa (o que em mim pelo menos tem efeitos desastrosos), comer comida gelada, tomar banho quando dá e às vezes ir dormir sem banho mesmo, entre muitas outras coisas.

Algumas mães ou pais ainda precisam trabalhar fora e não conseguem dispensar a atenção que gostariam a seus filhos.

Abdicar de tudo assim é muito difícil, e existem de fato pessoas que não conseguem. Deixam os filhos sempre com os avós pra sair pra balada, curtir a noitada. Outro pais preferem deixar seus filhos passarem seus dias com o Doki ou a Peppa na TV porque, afinal de contas, tem muita coisa pra fazer e não tem como deixar de fazer tudo pra brincar com os filhos. Pais que, pra tentar suprir essa falta –e pra aliviar o sentimento de culpa- enchem os filhos de coisas, presentes, roupas e brinquedos. Come um no sofá outro na mesa, um vendo TV e outro mexendo no celular, mas nunca conversando. Somos parcialmente responsáveis pela formação de caráter de um ser humano, isso é muito sério!

Antes de tudo quero deixar claro que enfatizo aqui a palavra sempre. Deixar com os avós, deixar ver TV, dar presente, comer vendo TV não são problemas, mas convenhamos que fazer isso SEMPRE, o tempo todo não pode ser algo bom pra ninguém –e acontece muito-. Escrevo também em tom de desabafo, me identifico em muito do que falei, e foi exatamente isso que me fez refleitr. Olhando pra juventude de hoje vejo que estamos errando muito em pontos cruciais da criação dos nossos filhos. Falta harmonia, falta equilíbrio. Não queremos cometer os mesmos erros de nossos pais, o que nos leva pra um outro extremo, o que também não é bom. O equilíbrio é a base de tudo, e o ser humano tem uma dificuldade incrível em encontrar esse equilíbrio.

O que a gente se esquece às vezes é de que esse abdicar de nós mesmos dura pouco. De 3 a 5 anos pra uma vida de 90 não é muito, vai. Conforme a criança cresce as preocupações mudam, a vida nunca mais será a mesma, mas aos poucos conseguimos sim resgatar um tempo pra nós mesmas. Dormir a noite toda, comer na hora certa, tomar um banho sem pressa, sair mais, etc.

Tá, mas porque todo esse desabafo? Li um texto aqui aonde a mãe do assassino de 13 pessoas (12 crianças e um professor na catástrofe de  Columbine em 1999) fala de seus sentimentos. É algo que nos faz pensar. Ela disse que não percebeu que o menino tinha problemas, que estava doente e que era um potencial suicida. Não percebeu porque estava longe? Trabalhando demais? Ocupada demais brigando com ele? Não sei, e não importa, acho que ela já carrega um fardo grande demais. Me imagino no lugar dela e choro só de imaginar a dor que sente. Dor pela morte do filho, dor por essa morte ter vindo das mãos dele próprio, dor por não ter enxergado os sentimentos dele, dor por não ter tido tempo pra conversar com ele, dor pela dor que o filho dela causou em tantas pessoas. Meu Deus!!!

O que eu tirei disso tudo? Tempo! Tempo pra olhar mais pros meus filhos, tempo pra brincar mais com meus filhos, pra conversar mais com eles, pra segurá-los mais no colo enquanto eles ainda cabem nele, pra girá-los no ar enquanto ainda consigo! Deixa a comida esfriar, deixa o banho pra de noite, eu vou brincar!

 

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Por Joana
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