O que fazer em caso de abuso infantil?

Em September 4th, 2015
Categorias: Experiências

 

A primeira dica é ter certeza do que está falando ou pelo menos algum embasamento.

Ontem aconteceu uma situação muito chata pra mim como mãe, e essa situação me inspirou a escrever o post de hoje então vizinha mal amada, obrigada.

O Daniel está com 6 meses, não dorme a noite toda  e tem tido dificuldade de embalar no sono. Tem ido dormir lá pra 1 da manhã, às vezes 2h. Só que antes de dormir ele dá AQUELE show, chora muito, fica incomodado porque está com sono mas não consegue dormir. E esse baile todo começa lá pelas 19h quando eu deixo ele com a minha mãe pra arrumar os outros dois pra dormir. Ele fica sonolemto, mau humorado e chora, reclama, resmunga por QUALQUER coisa. Enfim… minha mãe já tinha ido dormir e eu estava tentando fazê-lo dormir (porque TODO MUNDO que tem um filho sabe que uma criança briga até o fim contra o sono e chora durante todo esse processo). De repente toca o interfone.

Eu já fui atender não muito feliz pois já esperava um vizinho reclamando do outro lado. Mas era muito mais do que isso.

Uma mulher (que não se identificou) com a voz doce e carregada que eu nunca vi na vida atendeu já perguntando “o que acontece com essa criança que chora tanto?”. Eu expliquei com toda a paciência que eu pude reunir no momento que “a criança” é meu filho e está com dificuldade pra dormir. Eis o diálogo:

VIZINHA – eu vou te denunciar pra polícia (sem mais nem menos)

EU (sem saber se ria ou se chorava de tanta raiva) – pode fazer o que quiser, eles vão vir aqui, vão ver que não tem nada errado e você vai passar vergonha

VIZINHA – algo está acontecendo na sua casa. Uma criança não chora desse jeito, não é normal. (isso tudo com uma voz super serena, mas cheia de ódio e acusação)

EU (já sem paciência mas tentando não deixar a educação de lado) – meus filhos são muito amados, eu vivo pra eles. E enquanto estou aqui falando com vc eu poderia estar lá com ele.

VIZINHA – concordo. Eu rezo a Deus que tudo que vc me disse seja verdade

EU (explodi, me julguem. Brincadeira, não julguem não)– e eu ORO a Deus pra que você cuide mais da SUA vida e não julgue as pessoas que você nem conhece. Tenha uma boa noite.

E desliguei. Mais ou menos uma hora depois ele dormiu. Minha vontade era dizer tanta coisa, mas tanta.. mas resolvi me calar porque eu tenho preguiça de discutir com gente chata e mal amada, e porque eu não queria me rebaixar.

Sentei no sofá e chorei muito, fiquei muito abalada e com um misto de tristeza, frustração e raiva. Quem me conhece sabe o quanto eu me cobro pra ser uma super mãe, e aí vem uma mulher que nunca me viu na vida, que não me conhece, não conhece minha vida, minha história e meu caráter e simplesmente pressupõe que eu machuco meu filho porque ela acha que ele chora mais do que o normal, e que vai me denunciar –não sei pelo quê- pra polícia porque ela acha que eu mereço ser presa.

Não estou escrevendo isso no intuito de me lamentar, mas pra mostrar a minha indignação. Ao invés de oferecer ajuda, perguntar se está acontecendo alguma coisa, se estamos precisando de algo, não. Julgar é mais fácil, “achar” é mais fácil.

Não cheguei a perguntar porque como já disse eu não queria prolongar o diálogo, mas pela situação posso presumir que essa mulher não tem filhos. Um bebê que não fala (e até os que já falam também) se comunicam chorando. Se tem fome, chora. Se tem sono, chora. Se sente dor, chora. Se ta mal humorado, chora. Se quer colo, chora. Se não quer colo, chora. Se toma susto, adivinhem…. chora! Se essa mulher me conhecesse o MÍNIMO teria a plena certeza de que os meus filhos não estão recebendo nada a não ser amor, carinho, apertos, beijos e amassos.

 

Moral da história: ao invés de encher sua cabeça de todo tipo de lixo, novelas com tramas mirabolantes, notícias ruins e canalizar tudo isso pra sua vizinha que está numa luta tentando fazer o bebê dormir engula tudo isso e pense antes de agir. Hoje vivemos num mundo onde infelizmente muita barbaridade acontece, mas não se deixe contaminar com isso e não saia por aí julgando quem você nem conhece. Se sua preocupação é real observe, converse, vai lá, bata na porta e converse olho no olho, ou chama a polícia mesmo porque quem não deve não teme e se a polícia chegar lá e não tiver nada você ficará mais tranquila e vai parar de encher o saco dos outros, que tal? Sério, pergunte se tem alguma coisa acontecendo e se essa mãe precisa de ajuda (99% das mães tem crises de “sou uma mãe ruim” e precisam ouvir o contrário às vezes porque realmente sofrem com isso). O ponto é… não acuse sem conhecer e não encha o saco das mamães!

 

Agora se você realmente presenciar qualquer cena de abuso físico/emocional/sexual ou tiver a certeza de que algo está errado denuncie:

Disk 100: horário de funcionamento das 8h às 22h 7 dias por semana.

A denúncia é anônima e o serviço gratuito. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização.

181 – disk denúncia

190 – polícia militar

0800 970 11 70 “Alô vida” – serviço telefônico de escuta e encaminhamento para casos de violência contra crianças, adolescentes e pessoas com deficiência, e de orientação para famílias interessadas ou envolvidas em processos legais de adoção.

e-mail disquedenuncia@sedh.gov.br

Você também pode entrar em contato com o conselho tutelar da sua cidade. Veja como fazer isso aqui.

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Por Joana
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