Relato dos meus partos e a violência obstétrica que sofri

Em September 7th, 2015
Categorias: Experiências

 

Como toda mãe eu tinha um sonho de como seria a gestação, o chá de bebê e o parto. Mas nem tudo é como a gente sonha. Hoje vou relatar cada um dos meus partos, e a violência obstétrica que sofri em dois deles. Aqui no blog tem um post sobre a violência obstétrica, leia aqui.

 

Mikael

Hoje o Mika tem 3 aninhos. Fiquei saltitante quando descobri a gravidez, mas o papai deles ficou morrendo de medo. Nos mudamos pra outra cidade, mais próxima do hospital porque aonde morávamos na época era bem isolado. Sonhava com o par
to natural, não queria nem anestesia. A gravidez correu perfeitamente e eu não senti nada, cansaço, s1382064_10201376391786129_1281167332_nono, nada disso. Cheguei a pular um muro com 8 meses e meio de gravidez porque tinha perdido a chave de casa. Enfim, não éramos casados. No dia 03.03.12 nos casamos e no dia 04.03 quando acordei havia um liquido na cama. Não sabia se a bolsa tinha estourado ou não então corremos pro hospital pra saber. Se não tivesse estourado eu voltaria pra casa e esperaria. Chegamos lá e fomos bem atendidos. Um enfermeiro fez o toque e saiu. Depois de uma meia hora voltou e disse que seria melhor induzir o parto naquele dia mesmo. Confiei porque realmente pensava que eles jamais colocariam em risco uma mãe e seu bebê e que respeitariam minha decisão de ter parto natural. A indução começou. Foi um dia inteiro tendo um comprimido enfiado em mim a cada 4 ou 6 horas. As contrações começaram, mas nada muito intenso. A essa altura eu já tinha ligado pra todo mundo e minha mãe foi literalmente voando pra lá (ela é de SP, eu tive o Mi10256905_10204605403749410_7730687839955441845_nka em SC). A noite a medica veio conversar comigo e disse que seria melhor pro bebê fazer uma cesárea. Que até dava pra tentar esperar até o dia seguinte de manhã mas que o indicado era uma cesárea mesmo. Fiquei triste mas confiei nela, afinal era o melhor pro meu filho e era só isso que eu queria. A cesárea ocorreu e meu bebê nasceu naquela noite com saúde perfeita.

Eu fiquei sabendo depois que a médica não queria ficar a noite toda no hospital esperando e por isso me indicou a cesárea. Na época me contentei com a saúde do meu filho e esqueci o assunto.

 

Gabriel

Gab agora está com 2 aninhos. Quando descobri a gravidez fiquei mega feliz e não tive medo nenhum, sabia que tudo daria certo. Fiz o primeiro ultrassom aonde o médico disse que a minha gravidez era anembrionada, ou seja, sem embrião. Chorei e coloq576575_10201377122524397_1730185012_nuei nas mãos de Deus. Passadas duas semanas fiz outro exame e pude ver o coraçãozinho mais lindo do mundo forte pulsando. O sonho do parto natural continuava embora algumas pessoas dissessem que eu não poderia ter parto natural porque já tinha feito uma cesárea. Fiquei aliviada quando soube que poderia tentar. A gestação também ocorreu sem intercorrências e no dia 07.04.13 (domingo) a noite na igreja passei mal durante o culto. Fui pra fora, comi e bebi alguma coisa e me senti melhor. Voltamos pra casa e no dia seguinte acordei com uma leve pressão na barriga e uma dorzinha de leve. Eu tinha obstetra naquele dia então só fui no hospital mais próximo ter certeza de que eu não estava em trabalho de parto e não precisava correr pro outro hospital naquele minuto. Cheguei lá com pequenas contrações a cada 5 minutos e fui avaliada. O medico disse que eu não estava em trabalho de parto naquele momento mas que poderia entrar daqui a algumas semanas, ou daqui a algumas horas, não tinha como ter certeza. Ele me deu a opção de ficar lá, ser medicada e reavaliada ou tomar remédio em casa mesmo e esperar a consulta. Se eu estivesse em trabalho de parto até lá já teria evoluído. Assim eu fiz. Tomei remédio e aguardei a consulta. Enquanto isso a dor ia aumentando devagar e na hora na consulta eu cheguei lá andando normalmente, mas com bastante cólica já. Imaginei que estava com uns 3 cm de dilatação porque embora doesse não era algo tão insuportável. Ela me atendeu e me mandou correr pro hospital pois eu já tinha 6cm de dilatação. Segundo a medica eu estaria com meu bebê no colo dentro de uma hora. As coisas já estavam arrumadas e nós fomos. O hospital era meio longe e eu fui firme e forte agüentando as pontadas. Na esquina da rua do hospital não agüentei e gritei. Chegamos no hospital e o horror começou.

Enquanto meu marido foi guardar o carro eu fiquei de pé na recepção e nenhuma das 3 atendentes da recepção se levantou pra me ajudar a pegar os documentos ou me trouxe uma cadeira de rodas. Fiquei ali esperando até 11180145_10204942638820076_665100121_nque o segurança me coloocou numa cadeira de rodas e me levou pra dentro. Esperei um pouco e me levaram pra uma sala de espera só com uma cama de hospital e uma pia, mais nada. Não deixaram meu marido entrar (hospital particular ta?) e me pediram pra aguardar. Fiquei lá gemendo vergonhosamente quando entrou uma enfermeira que logo saiu sem dizer nada. Passado algum tempo entrou uma médica novinha e pequena que fez o toque e disse que eu estava com 4 cm (oi? Eu saí de lá com 6 e estou com 4? Pode isso produção?). Ela saiu e não voltou mais. Bastante tempo depois ouvindo meus berros meu marido entrou sem permissão mesmo e eu pedi pra ele chorando que fosse atrás da médica chefe, não era possível ter só 4cm de dilatação com aquela dor toda. Nesse meio tempo entrou a enfermeira de novo com cara de poucos amigos e disse: “vai ter que depilar, abre as pernas”. Eu não conseguia me mexer de tanta dor. Ela pegou minhas pernas e as abriu, e passou a gilete a seco nas minhas partes íntimas. Terminou o serviço e saiu do quarto.

Enquanto eu esperava em desespero eu via as duas médicas que me atenderam passando calmamente pelo corredor, todo mundo conversando e contando caso. Depois de um tempão a médica chefe chegou e fez o toque. Se surpreendeu e disse que eu “teria o bebê ali mesmo” porque já estava com 9cm. A essa altura eu estava segurando o Gab dentro de mim porque o corpo estava expulsando o bichinho sozinho.

Ela saiu e voltou com uma bacia de ferro e alguns instrumentos dentro. Furou minha bolsa e enfiou um instrumento dentro pra ver se o bebê tinha feito cocô. E tinha. Ela disse que como ele tinha feito cocô eu precisava fazer uma cesárea de emergência porque ele não podia ficar em contato com o mecônio por muito tempo. Na hora até pensei “mas não é só fazer força e ele nascer e pronto?”, mas meu desespero era tanto que eu não reagi.

Depois disso eu tive que aguardar a chegada do anestesista, o que levou uns 20 minutos (isso porque eu não podia esperar) e tive que ir andando até a sala de cirurgia. Como era uma cirurgia de emergência meu marido não pôde assistir. A cirurgia correu bem e o Gabriel nasceu com saúde graças a Deus. Depois disso eu ainda fiquei esperando a anestesia passar numa maca no corredor, com frio e sozinha. Levaram o Gabriel pro berçário e eu fiquei ali jogada por pelo menos uma hora e meia.

 

Daniel

Infelizmente o sonho de parto natural já não existia mais porque como eu tinha duas cesáreas recentes meu útero corria o risco de estourar durante uma contração resultando em hemorragia interna. Como eu sei disso? Eu não ia correr o risco de pegar um médico interesseiro então dessa vez eu pesquisei muito, visitei o meu hospital de interesse e fui atrás (coisas que eu deveria ter fei11024205_10204528179858861_3280128002271102206_nto desde a primeira gestação). Achei uma médica super querida, doce, que queria me cobrar R$2000,00 pra fazer meu parto (isso porque na é11749518_10205543231514518_240323921_npoca eu tinha plano de saúde). Procurei outro e troquei pra um querido que
além de super experiente é um doce e não cobrava essa taxa ridícula. Ele esperou até o ultimo momento pra fazer o parto pra que o bebê ficasse o máximo possível dentro do útero e reservou uma ótima sala de parto pra mim, eu não tive que fazer nada.

No dia da cirurgia correu tudo perfeitamente, eu fui maravilhosamente atendida do início ao fim e a sala de preparação pro parto é aconchegante, e a de recuperação quentinha e cheia de cobertores. Tive a melhor soneca da vida (não foi por causa da morfina viu?) e fui pro quarto antes do previsto. Cheguei lá e minha família já me esperava, o Dani chegou um pouco depois. Ficava comigo durante o dia e à noite ia pro berçário pra mamãe descansar um pouco. 24hrs por dia tem uma TV ligada com o bercinho do bebê ali pra que você possa olhar pra ele o tempo todo e saber que ele está sendo bem cuidado. Foi maravilhoso. Dani nasceu dia 27.02.2015 cheio de saúde e bem cabeludo, ao contrario dos outros dois que nasceram sem um fio de cabelo na cabeça.

 

 

Sei que o texto ficou longo, mas tentei resumir ao máximo. Infelizmente eu só fui conhecer a existência do termo “violência obstétrica” bem depois do nascimento do meu segundo filho. Antes eu pensava que isso era normal, que era assim mesmo, e como mencionei confiava e realmente achava que os médicos priorizavam a saúde da mãe e do bebê. Não vou generalizar, coloquei o terceiro relato
aqui justamente para que possamos ver que existem profissionais maravilhosos que realmente amam o que fazem, mas existem também pessoas que têm como prioridade o dinheiro que se ganha à mais quando uma cesárea é realizada. Meu conselho para as futuras mamães é:

  • seja CHATA! Quando se está com 9cm de dilatação a dor é imensa e eu pelo menos não estava raciocinando direito. Aí está a importância de planejar cada passo e seguir esses passos à risca. Pesquise, pergunte, procure, exija o melhor pra você e essa preciosidade cres
    cendo dentro de você.

  • QUESTIONE. Vai ter que fazer cesárea? Porque? Na hora a dor é enorme e a gente só quer que acabe logo. Nesse caso é importante ter alguém com você para que esta pessoa te lembre da sua escolha e insista quando você não consegue mais argumentar.

  • SE INFORME com o obstetra sobre os riscos e possibilidades. Te
    nha cara de pau de fazer a pergunta mais idiota, mas não saia das consultas com dúvidas.

  • VISITE, conheça os hospitais aonde pretende ter seu bebê e quando escolher se informe sobre taxas adicionais, refeição para acompanhante, horário de visitas, etc

  • ESTEJA PRONTA PRA CEDER se necessário. Às vezes não é como a gente quer e existe um bom motivo pra isso. Que sua prioridade seja sempre a saúde do bebê e a sua.

 

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Por Joana
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