Saudades do filho do meio

Em March 25th, 2016
Categorias: Desabafos

Quando soube da gravidez do Daniel prometi a mim mesma que não permitiria que o Gabriel desenvolvesse a tal “síndrome do filho do meio”.

Tenho muitos amigos e conhecidos que são filhos do meio e todos eles têm seus traumas, que na maioria das vezes não atrapalharam no seu desenvolvimento mas geraram sim uma dorzinha no peito que eu não quero que o Gab sinta.

Mas, tem sido difícil. Ele ainda é um bebê, e muitas vezes preciso olhar aqueles olhos grandes me pedindo colo e dizer “agora não posso Gab”, ou “vou fazer o bebê dormir e já te pego tá?”, como é duro!

Nunca cheguei a conversar com os pais desses amigos e me alivia ver que a maioria é bem sucedida hoje e faz piada desses pequenos traumas como aniversário junto, apanhar e ainda levar culpa, herdar a roupa do mais velho (que ganha as roupas novinhas que vão automaticamente pro irmão do meio depois, e estão surradas demais pra ir pro mais novo, que também acaba ganhando roupas novas), etc.. e nunca tinha pensado nisso, do porquê dessa “síndrome” existir. Só vivendo pra entender como é difícil. O mais velho entende um pouco mais, requisita um pouco menos, se comunica um pouco melhor, domina o pico, toma o brinquedo do irmão do meio, bate no irmão do meio (sofre as consequências disso mas isso não significa que não faça de novo, e de novo), o bebê aprende a dar tapinhas com os mais velhos, e aplica em todo mundo, inclusive no do meio que não entende ainda que o mais novo é bebê demais pra que eu possa realmente aplicar alguma “punição” além de segurar seu bracinho e dizer carinhosamente que ele não deve bater, e sim fazer carinho. E sabe aqueles dois momentos do dia em que passa o furacão da discórdia em casa e todos te requisitam ao mesmo tempo? É um fenômeno que normalmente acontece na hora do almoço e perto da hora de dormir e se repete dia após dia sem parar. No meio desse furacão todo o do meio sempre vai requisitar. E no meio daquelas tarefas impossíveis de interromper como uma troca de fralda, amamentação ou quando você tá tentando cozinhar uma daquelas receitas que não pode parar de mexer? É nessas horas que eles parecem te querer mais. Hoje entendo quando dizem que 24 horas é pouco num dia, e é mesmo.

Uma amiga psicóloga me ensinou que tudo na vida tem seu luto. Quando acaba o curso na faculdade existe o luto da perda dessa fase e o preparo para entrar numa nova. Quando um filho nasce o do meio deixa de ser o caçula e isso gera um sentimento de luto também, para ele, e para mim. É fácil ver que o Gab tem estado agitado e manhoso. Ele sente a minha falta, e eu a dele. Ele passa o dia na escolinha e quando volta pra casa tem que disputar atenção com mais dois irmãos, sendo um deles 100% dependente de mim. Eu faço o que posso pra conseguir um tempo só dele. Procuro ir buscá-lo sozinho na escola, deixo os outros dois em casa pra que no caminho possamos conversar um pouco, o carrego no colo enquanto subimos do carro ao apartamento, e no meio do caminho cheiro seus cabelos e verbalizo o quanto o amo. Não sei pra ele, mas pra mim não é o bastante. Quero mais, sinto falta dele. Quero um dia de 36 horas pra poder dividir a atenção entre os 3 e ainda ter um tempinho pra mim (porque eu mesma já me esqueci, pelo menos por hora).

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Por Joana
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