Tudo o que você gostaria de saber sobre puerpério e quando considerar depressão pós parto

Em September 15th, 2016
Categorias: Experiências

Puerpério, palavrão carregado de significados, sentimentos e hormônios. Palavra que eu mesmo só fui descobrir depois de passar por essa fase e quase enlouquecer achando que eu estava em depressão profunda, ou ficando perdendo a noção da realidade mesmo.

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Depois de três filhos acho que tenho certa bagagem pra ajudar quem ainda não conhece o companheiro número um de toda “recém-mãe”. Abaixo de cada item vou relatar a minha experiência pessoal com o puerpério.

De forma geral, pra mim foi super intenso no pós parto do Mikael. Do Gabriel eu senti bem menos e do Daniel, quando eu estava esperando aquele rompante de sentimentos, “cri cri, cri cri”, NADA.
Não sei se de certa forma não tive tempo pra ter puerpério (fato), mas simplesmente não tive. E olha que o pós parto do Daniel foi intenso e trevoso em vários aspectos da minha vida.
Acho que Deus olhou pra mim e pensou “Tadinha, passando por tanta coisa, xá o puerpério pra lá” e me poupou porque olha, foi fácil não. Enfim, bora lá.

O que é o puerpério?

Puerpério são os 3 primeiros meses –aproximadamente- do bebê no mundo, ou seja, fora de você. Profundo né? É tenso, tenso pra caramba!
Durante esse tempo seu corpo sofre uma série de alterações para retornar ao estado pré-gravidez.
No dicionário a palavra puerpério significa período do parto e sobreparto, e ânsias e dores do parto.

O que você pode sentir:

Você ama seu filho, e vai amar cada dia mais. Mas você sente uma série de coisas não tão agradáveis mas que fazem parte desse período.

Luto do barrigão

Pra começar você muda “de repente” (tô falando do físico mesmo). Você não está mais grávida e agora tem aquela coisinha que depende pura e inteiramente de você.
É tudo mais difícil e as pessoas que antes cuidavam de você e te davam carinho agora olham pro bebê. Inconscientemente isso pesa.
EU: Eu amo estar grávida, simples assim haha

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A vida de antes faz falta em alguns momentos.

Dormir sem hora pra acordar, assistir séries durante o domingo inteiro deitado debaixo do cobertor comendo besteira, frequentar festas pra quem curte. Essas coisas fazem falta e é natural sentir essa falta. Não quer dizer que você ame menos o seu filho e queria a vida de antes. Você apenas gostaria de poder conciliar as duas harmoniosamente. E acredite, quando o bebê crescer um pouco mais isso será possível sim. Não se desespere, espere.
EU: Nunca gostei de sair muito, então o que mais pega pra mim é a falta de sono.

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O corpo de antes

A mudança física, aaah a mudança física. Flacidez, pele sobrando, quilos a mais que você pensava que era da barriga mas não era, o marido que acha que magicamente tudo voltará a ser como antes #SQN, inclusive na área sexual, e por aí vai.
EU: Eu fiquei bem melhor depois das gestações, emagreci muito e fiquei contente com meu corpo. Após o nascimento do Daniel fiquei com diástase e isso tem me incomodado bastante 🙁

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Tristeza e vontade de chorar

Mesmo quando tá tudo bem.
Tive muito isso no pós parto do Mikael. Mas muito MESMO. Meu marido perguntava “o que foi?” e eu simplesmente não sabia responder. Era angustiante porque na época eu não sabia o que era. Minha dica é, ceda. Chore! Converse, desabafe.
EU: Tive muito, muito mesmo. Chorava do nada, sem motivo, mesmo quando tava tudo bem. De repente eu era tomada por uma tristeza profunda e chorava sem nem saber porquê.

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Medo

Medo de perder o bebê, de alguém sequestrar, de ele morrer, de alguém derrubar, de alguém fazer mal, do bebê ficar doente, enfim…
Existe e se estende para além do puerpério. O importante é saber dosar e não ser paranóica. Encontrar o equilíbrio não é fácil, mas é extremamente necessário para a SUA saúde mental, e para o desenvolvimento do bebê.
EU: Ainda sinto, sinceramente acho que esse sentimento vem junto no pacote de mãe. Mas aprendi a balancear o sentimento pra não enlouquecer a mim mesma e aos outros à minha volta.

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Raiva, nervosismo

Porque você deveria estar feliz e não está. Porque o pai do bebe não te ajuda o suficiente. Porque seus familiares estão longe. Porque ficam dando palpite o tempo todo. Porque seus amigos te esqueceram. Porque você quer dormir. Porque você quer comer um trem e queria um corpo esbelto ao mesmo tempo. Porque amamentar dói e não te contaram. Porque o bebe chora mais no final do dia. Porque SIM. Tem um monte de hormônios se ajeitando dentro de você, SE poupe de si mesma e lembra que vai passar, e rápido!
EU: Não sentia muita. Sentia frustração porque estava longe dos meus amigos e família e meu marido era imaturo em muitos aspectos e não me supria emocionalmente como –graças a Deus- faz hoje.

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Por que acontece o puerpério?

Basicamente porque seu corpo precisa voltar ao que era antes. Digo isso mais por dentro do que por fora já que infelizmente nem sempre a gente volta a ter o corpitcho de antes não é?
Tem um monte de hormônios dentro de você que precisam voltar a suas doses normais, de antes da gestação. Além disso:
Seu útero volta ao tamanho normal;
Seus seios aumentam e começa a produção de leite;
Seus órgãos estão voltando ao seu lugar original;
Seus hormônios estão em doses enormes e aos poucos voltam às doses normais;
Seu corpo mudou e você sente isso;
Sua vida mudou e você sente isso;
Tem um ser vivo que depende inteiramente de você e isso pesa no seu inconsciente;
Enfim, é motivo pra caramba.

Como diferenciar o puerpério da depressão pós parto?

Por se tratar de mudanças hormonais bruscas, não há como prevenir o baby blues (nome chique do puerpério). Embora seja comum confundir os sintomas, os dois quadros são bem diferentes. Segundo dados da literatura científica mundial, esse tipo de depressão acontece com cerca de 15% das novas mães.
A principal diferença é que, na depressão pós-parto, há a rejeição ao bebê. A mãe não quer cuidar, não quer pegar, não sente ainda o amor propriamente dito.
As depressões acontecem por causa da queda brusca de hormônios que ocorre quando a placenta é expelida e também podem acontecer por fatores sociais como gravidez não desejada, falta de apoio da família ou problemas pessoais.
Ao ler isso você pode ser tomada por um pequeno desespero porque talvez você não queira ficar perto do seu bebê toda hora. PARE!
Querer um tempo pra dormir, fazer a unha, ler um livro, tomar um banho, ou até ficar sem fazer nada é normal e saudável. TODOS precisam de um tempo só seu. O fato de você não amamentar seu bebê com um sorriso nos lábios 100% do tempo não te classifica como uma mãe ruim e não indica que você tem depressão pós parto. Significa apenas que você precisa de um tempo pra organizar os pensamentos e descansar.

Quando procurar ajuda?

Se os pensamentos acima não passam depois de aproximadamente dois meses e meio ou se em qualquer momento são acompanhados de ideias suicidas, raiva do bebê, vontade de machucá-lo, alucinações, raiva constante de tudo e de todos, é hora de procurar ajuda. Não é vergonhoso e não é sinal de fraqueza e sim de maturidade e humildade.
EXISTE TRATAMENTO E VOCÊ NÃO É MALVADA POR SE SENTIR ASSIM!

Quanto tempo dura o puerpério?

Varia de mulher pra mulher. No geral, em torno de três meses. Passou disso, considere buscar ajuda profissional.

Toda mulher passa por isso?

Não, mas a maioria passa. 50% a 60% das mulheres passam pelo “baby blues”.

Se eu tive uma vez, terei novamente?

Na verdade o puerpério em si sempre vai acontecer, porque é quando o nosso corpo volta ao estado “pré-gravidez”. Mas o fato de ele existir não significa que você vai sentir tudo isso de novo.
Como eu disse lá em cima eu tive muito intensamente no pós parto do Mikael, no do Gabriel tive com menor intensidade e no do Daniel foi completamente inexistente. Isso é pessoal e imprevisível. Não tem como prever, nem a intensidade

Como aliviar o que estou sentindo?

Primeiramente, não se culpe e seja paciente consigo mesma. Não se cobre tanto. “Segundamente”, cerque-se de pessoas que te apoiam. Família, parentes, amigos, vale tudo desde que te faça bem. Terceiramente, só o fato de você ter lido esse texto até aqui já vai te ajudar, porque quando eu passei por isso não sabia o que era e achei que estava em depressão. E lembre-se que… paaaaaassa, e logo logo você vai estar esbanjando alegria de novo por aí 😉

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Algumas informações foram retiradas dos sites: maemequer.pt, abp.org.br e guiadobebe.uol.com.br
Foto ilustrativa do post do site

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Por Joana
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