Um monstro dentro de mim

Em August 17th, 2015
Categorias: Desabafos

Sempre fui conhecida por todos os que me rodeiam como uma pessoa extremamente calma, ponderada, tranquila, controlada e que transborda paciência. Eu de fato era assim, até meu primeiro filho nascer.

Amor nunca faltou, e assim que descobri minha gravidez pulei de alegria. Embora não planejados, todos os meus filhos sempre foram muito desejados, o que pra mim é prioridade.

Cheguei em casa da maternidade morrendo de medo
, porque até ali eu nunca tinha trocado uma única fralda na vida e nunca fui a “tia” preferida das crianças ao meu redor. Não gostava de pegar bebês no colo e nunca fui de brincar de casinha quando pequena. Sempre preferi escalar, pular muros, me sujar de terra e por aí vai. Tão dependente de mim aquela “coisinha”, tadinho.

Ele chorava e nada o acalmava. Uma hora era cólica, outra hora era calor, um arroto preso ou uma fralda suja. Eu sentava e chorava junto. A noite chegava e eu estava exausta, mas era só o começo. Ele acordava de duas em duas horas pra mamar, e outras vezes por causa do refluxo (ooo coisa do capiroto viu) e NÃO, eu não acordava nada feliz e disposta amamentar. Eu amava meu filho, mas naquela hora eu queria, PRECISAVA dormir. Eu falo disso como num passado distante, mas tenho três filhos pequenos, um deles com 5 meses então isso ainda acontece. As únicas diferenças são que agora eu diferencio uma cólica de um arroto preso, sei trocar fraldas e o Daniel não tem refluxo (aleluia!).

Muitas vezes acordo mau humorada (principalmente nos finais de semana) porque não durmo direito à noite e eles acordam super cedo. Grito muito mais do que gostaria embora tenha a consciência de que gritos não resolvem nada, e de madrugada às vezes acordo nervosa pra amamentar, não é sempre que eu curto o momento. Quando os meus mais velhos brigam, o que acontece constantemente eu me vejo como um dragão soltando fogo pelas ventas. Brigo, coloco de castigo se a conversa não resolver e dou uns tapas na bunda quando o castigo não funciona. Se isso me alegra? Não. Se eu gosto desse monstrinho dentro de mim? Não, detesto. Queria acordar sempre disposta e feliz para amamentar, porque a verdade é que eu posso amamentar e isso é uma alegria. Muitas mamães sofrem por não conseguirem e tem o duplo trabalho de ter que levantar pra fazer mamadeira. Queria acordar todas as manhãs feliz por mais um dia de vida e saúde, saudar meus filhos com um super bom dia… mas não é sempre assim. Encho meus meninos de beijos, abraços, afagos e cócegas. Brincamos de esconder, desenhamos juntos, fazemos origami, dou presentes e cozinho coisas especialmente pra eles (pra mim isso é prova de amor hahaha) entre muitas outras coisas. Não sou um monstro toda hora, mas 1 minuto de “monstruosidade” me faz esquecer de tudo de bom que eu fiz naquele dia.

Por muitas vezes termino meu dia me martirizando por ter brigado demais, gritado demais, não ter brincado o suficiente, ter errado aqui e ali e dificilmente vejo minhas qualidades. Me achava uma mãe terrível até pouco tempo atrás. Aí parei um pouco pra pensar no que eu mais peço a Deus em minhas orações pra mim mesma, no meu maior anseio como mãe. Eu termino todos os meus dias querendo ser melhor no dia seguinte com a consciência de que nunca serei perfeita embora às vezes eu ainda queira ser a mãe dos comerciais de margarina. Acredito que ISSO faça de mim uma boa mãe. Reconhecer meus erros e querer melhorar buscando a felicidade e bem-estar dos meus pequenos.

Resolvi abordar este tema porque acredito que existam mais mães como eu, que se culpam como eu e que precisam de uma palavra de incentivo a partir de uma experiência real, como eu tantas vezes precisei (e preciso). Erramos todos os dias em algum ponto e a culpa é perda de tempo porque não gera frutos bons e traz tristeza e amargura. Que toda culpa seja revertida em mudança pra melhor todos os dias e que um erro não oculte de nós mesmas o que fazemos de bom.

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Por Joana
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