Um tempo só meu

Em January 30th, 2016
Categorias: Experiências

[…]Pra um ser humano que nasce egocêntrico abrir mão da individualidade não é fácil[…]

 

Depois de quase 4 anos tive um tempo pra mim, só pra mim.

Deixei o Daniel com uma amiga, Mika e Gab ficaram dormindo em casa com a vovó e eu fui ao cinema. Assisti o novo filme da saga Star Wars. O filme me surpreendeu e me prendeu do início ao fim, mas e o tempo sozinha, como foi?

 

Na verdade foi uma mistura de sentimentos. Fiquei fora durante umas 4 horas. Foi maravilhoso não me preocupar com um bebê chorando no banco de trás do carro sempre que eu precisava esperar o farol abrir, poder estacionar o carro, descer dele e trancá-lo levando apenas alguns segundos e sem ter que mexer no porta malas pra tirar malas e carrinho. Pegar a escada rolante do shopping e não ficar me preocupando em procurar elevador pra subir com o trambolho carrinho de bebê. Poder ir ao banheiro depois do filme e fazer um longo xixi sem precisar me equilibrar com um bebê no colo. E assistir um ótimo filme do início ao fim, quase sem piscar, sem interrupções… simplesmente indescritível.

Por outro lado eu senti saudades, principalmente dos mais velhos que gostariam de ver uma luta de sabres de luz, mas que de forma alguma ficariam sentados por mais de duas horas e meia com os olhos fixos na tela do cinema. Eu olhava pro lado e imaginava a carinha do Mikael encantado com o duelo, ou como o menininho do trailer de “Um bom Dinossauro” e o jedi Luke skywalker são parecidos com o Gabriel.

Um tempo só meu

Senti alegria por assistir a um filme que gosto tanto, alívio por não precisar correr ou me preocupar com mais nada e ninguém além de mim mesma e do meu bem estar, e culpa por me sentir assim. É como se eu não pudesse, como se fosse proibido pensar em mim mesma. Amo estar com os meus filhos, amo ser mãe deles e não abro mão disso por nenhum outro cargo, mas cada vez mais tenho percebido a importância de um tempo só meu. Algumas horinhas durante a semana bastam (e se possível a noite de sono, por favor Deus). Um tempo pra me dedicar a mim mesma, cuidar da saúde e por que não… da aparência. Um tempo para ser Joana, e não “a mãe dos meninos”.

A uns dias atrás li um texto lindo, mas uma frase que dizia que uma criança não exige NADA de nós me chamou a atenção. Exige sim. Exige que, durante um tempo você abra mão de tudo aquilo que você é. Não sou mais “eu”. Agora somos “nós”. Isso é lindo, mas ao mesmo tempo meio assutador. Por um tempo uma parte de nós adormece para que vivamos 100% para outra pessoa. Comer comida fria, isso quando dá pra comer porque muitas vezes a refeição fica esquecida em meio às tarefas, banho vapt-vupt em horários alternativos, sair nem pensar, fora a platéia quando se quer ir ao banheiro. Sabe aquele cocô tímido? Que só sai em casa, em meio ao silêncio e tranquilidade? Mãe não tem o luxo de ter cu tímido. Faz rapidinho quando dá também, porque muitas vezes precisa segurar porque o bebê tá ligado no 220 e não tem ninguém pra olhá-lo enquanto você vai cagar.

É claro que passa, e passa depressa deixando muita saudade (embora eu ainda ache que eu não vá sentir falta de levantar de madrugada), mas pra um ser humano que nasce egocêntrico abrir mão da individualidade não é fácil. É preciso muita paciência (com as crianças e consigo mesma), o que também se adquire com o tempo e com as experiências que só uma mãe sabe descrever.

Que possamos aproveitar cada momento (até os ruins) com os pequerruxos e que a cobrança (dos outros e nossa) que nos persegue (a mim e a todas as outras mães) não nos prive dos benefícios de um tempinho só nosso.

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Por Joana
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